Erasto Gaertner, andar inferior, corredor à direita, ala dos marombas. Uma recepção só para organizar o horário de chegada de cada atleta. Academia de primeira linha, somente com hora marcada. Chego alí, com um pouco de vergonha por assumir que gostaria de iniciar meu plano verão 2027, hipertrofia e redução de percentual de gordura. Sim, meus objetivos eram puramente estéticos. Sim, sou vaidoso. Na verdade, mais do que vaidoso, tenho pouca autoestima, então, o projeto verão, quem sabe, poderia mitigar esta característica. Bato na porta da academia. Fica fechada. Só quem tá na vez, entra. Abrem para perguntar o que eu gostaria. Explico a situação, e pergunto se poderiam montar um treino para mim. Logo percebo que a atenção daqueles profissionais da saúde volta-se para outro lugar, para meu violãozinho, que levo a tiracolo. “E aí, vai tocar uma moda para nós?”, parece que meu ingresso naquele ambiente estaria condicionado à execução de uma música. Sou muito sortudo, pois, apesar de saber apenas um punhado de músicas, geralmente preciso tocar uma ou outra, não precisando passar vergonha por exaurir o repertório diante de uma plateia sedenta. Sucesso. Os profissionais, os alunos e todos que ali estavam, se animaram com minha singela contribuição musical.
Pronto, agora era hora de pegar meu treino e iniciar os exercícios. Foi então que lembrei da síndrome de que sou acometido: síndrome da cigarra. Me despedi de todos e abandonei meu treino ainda em gestação. Parece que me dou melhor tocando minhas poucas músicas, ao menos o povo gosta. Saio com minha autoestima lá em cima!
Bruno Mancuso – Palhaço Pelúcia