O bolo passou disfarçado de pacote. Vimos de longe… E fomos logo dizendo: é aqui, é aqui!
Parece que o olho é treinado pra ver o disfarce… É quase como se houvesse uma identidade, uma cumplicidade. Dizemos em segredo:
Sei que você está aí atrás deste disfarce, deste pacote, desta máscara!
Nós também estamos! Estamos lá atrás de tudo, atrás do nariz com outro nariz que respira e faz suar o nariz de fora.
E atrás do nariz de dentro, com a mente pensante, a emoção corrente e o corpo tentante! E atrás da mente, corpo e emoção, sem nariz ou medo, só assistindo….
Nosso “Eu” observador é nossa mais fiel plateia, sempre presente. Ele que tudo sabe e nada sente pode muito bem se disfarçar de pacote e ficar tal qual uma mala em tempos de não viagem, esquecido, discretamente ignorado.
Mas pra entender como anda o espetáculo encenado todos os dias, a plateia fiel é uma sábia conselheira! Então é preciso abrir o pacote, tirar a máscara: ir mais para dentro depois de tanto fora!
E não é que houve um dia em que conseguimos?
Naquele tarde insistimos tanto que abriram o esconderijo gelado, e lá dentro, ele – o bolo! Não havia mais disfarce, e sua aparência salpicada de chocolate era inconfundível.
Vê-lo não foi suficiente, tivemos mesmo é que colocá-lo para dentro, pra encher mais a barriga já tão cheia de vida! Afinal, a criança não poderia nascer com cara de brigadeiro.
06 de abril de 2017.
Palhaça Solara / Yara Rossatto