Após o encontro de lá pra cá, chegamos, Siriema e eu, Bonito, à derradeira visita. O último paciente, do último quarto, do último corredor. E não é que estávamos em cima da hora? Dizem as boas línguas que escutar é importante para palhaças e palhaços. Então escuta essa outra!
Nesse outro quarto onde chegamos, havia um senhor, muito do querido. Estava acompanhado da filha caçula, a quem chamava de “Meu Neném”. E ela respondia chorando como um neném. Neném já era avó. Caçula é mesmo pra sempre.
Nesse quarto também não faltou assunto. Mas não houve pedido formal para interromper as brincadeiras, então elas não precisaram nem ficar, nem fugir. E na hora que a gente precisava fugir, encerrar o dia, passar a régua, pedir a trégua, bater o ponto e ir embora, o queridíssimo senhor nos pediu para ouvirmos um áudio que ele gravou. Que podia ter 30 segundos ou 30 anos, não tinha como saber.
Como ele percebeu que a gente estava vacilando, hesitando, que fomos pegos desprevenidos, lançou o que une a história de cá pra lá. Seu conselho foi direto: “Pra que a pressa? Não dá pra viver correndo”. Escutamos os áudios (eram mais de um). Durou mais de 30 segundos e menos de 30 anos.
Saímos, Siriema e eu, Bonito, atrasados pelos corredores.
Diogo Bonito – Palhaço Bonito