Chego. Passo pelos mesmos lugares. Faço a piada do autógrafo no caderno de voluntariado. Cumprimento cada segurança de um jeito: um com abraço, outro mais comedido. Subo escadas e bummm!!suas alas imensas de quarto e quarto e mais quarto.
Confesso que entrar e sair repetidas vezes nos quartos me deu corpo, treinou raciocínio rápido de improviso, mas também me deu medo e cansaço físico.
Comecei a ter afeto pelas vovós. Hospital com muitos idosos, o Cruz Vermelha tem muitas senhoras com mão boa pra plantar. Entreguei muitas mudas. Dona Julia chegou, ganhou florzinha, ganhou alta, levou florzinha pra casa. Voltou a internar-se, me pediu mais uma florzinha, e a terceira, já no fim, deixei uma de companhia pra ela que estava com seu fiel e incansável esposo ao lado. Deixei a florzinha, interagi com minha dupla e acompanhantes e outra paciente, e vi Dona Julia olhando pra florzinha: – Vou virar ela pra senhora, Dona Julia -gritei.
Mas de ora pra outra, ahhh!, outro quarto, outro mambo: piada surreal com corpo sem fala, tentativa de esquetes. Eu e Abelardo malhamos hein?!, quarto a quarto, enfermaria por enfermaria.
Uma enfermeira decorava os brinquedinhos, sabíamos a data de aniversário das gurias…
Aí a escala mudou, a roda girou e fomos remanejados de hospitais, então pude perceber o quanto você, Hospital Cruz Vermelha, me lapidou, me treinou e engrossou o caldo. Grata dupla! Grata Cruz vermelha!
Biaflora Lima – Palhaça Melanina