Reparando bem, todo hospital possui um acervo artístico. Desde o inocente quadro colorido cheio de borboletas – pintado provavelmente por algum paciente – até o painel do renomado Potty Lazzarotto, nenhuma parede, porta, teto e chão escapa da necessidade humana de expressão.
Do balaio das artes hospitalares, gosto especialmente das expressões em datas comemorativas, que rendem momentos de apreciação muito deleitosos. Vemos papais noéis em escultura e papel, máscaras carnavalescas, patinhas de coelho, bandeirinhas juninas, árvore de natal com seringas sendo penduricalhos, coelhos com cenouras, guirlandas, corações apaixonados, e por aí vai. Uma iniciativa, desconfio ser da equipe de enfermagem, pra deixar o ambiente mais habitável. Me faz lembrar daqueles dias em que a gente não acorda tão bem, mas faz questão de colocar um brinco e passar um batom do nosso gosto pra dar uma animada. E dá.
Já em alguns corredores mais administrativos, a arte ganha ares mais rococó, com molduras douradas adornando pinturas de girassóis, rosas e hortênsias em belos vasos. Escadarias em madeira, móveis raros, quadros históricos e, se não me falha a memória, até alguma escultura de uma figura importante.
Independente do estilo, não tem como escapar.
Sempre e em qualquer tempo, aparecerá uma fita metálica azul royal, um desenho de criança ou uma aquarela no mais frígido corredor de hospital, lembrando que a vida segue acontecendo e nós vamos nos enfeitar sim, do jeito que vai dando.
Larissa Lima – Palhaça Siriema