Já pensei que ficar com a memória fraca seria um grande problema. Eu não sou lá bom com isso, desde cedo. Não me lembro quando foi que percebi que tinha algum problema de memória, talvez as crianças não tenham a responsabilidade de lembrar das coisas e, por isso, essa coisa de memória fraca passe despercebida nessa fase. A não ser naquele jogo de memória, em que você tem que juntar os pares e quem ficar com o Mico, perde. Mas até isso de não lembrar quando começou a falta de memória, pode ser apenas mais um sintoma. Guardar nomes nunca foi meu forte. Convivo com a vergonha de não saber o nome de pessoas com quem me encontro frequentemente. Às vezes tenho vergonha de perguntar novamente o nome, por já ter passado um bom tempo desde o primeiro contato, como se, na minha cabeça, fosse óbvio que eu deveria saber, e deveria mesmo. De um tempo pra cá, meus esquecimentos de certas palavras vêm se intensificando. Sabe aquela palavra que você sabe qual é, mas não lembra, e fica naquele silêncio? Às vezes até tentam me ajudar adivinhando a palavra que esqueci, como se fosse um jogo de adivinhação, mas geralmente não acertam. Esquecer compromissos, então, muito comum. E, finalmente, comecei este texto para falar de algo que fosse pior do que a memória fraca, mas não lembro o que ia dizer. Tudo bem, vocês vão ler este texto e provavelmente não vão lembrar dele.
Bruno Mancuso – Palhaço Pelúcia