nov
02
O FURO

Travei. E travada começo esse texto.

Poderia escrever a historia que o seu João me contou. De um menino que abriu o caixão, puxou o padrinho lá de dentro, cortou-o de cabo a rabo e arrancou seu bofe. Tudo para salvar a vida de seu pai.

Poderia fazer uma dissertação sobre cagadas. Dessas que escapam por dentro das calças, saem pelos bolsos, pela pontas dos dedos… deixam marcas e um cheiro ruim.

Poderia listar conselhos que a palhaça Carmela daria para a coordenadora Camila. Talvez fossem desenhos, não sei.

Poderia problematizar o que e o encontro. Temos pensado sobre isso ao planejar o encontro dos grupos de palhaços que atuam em hospitais.

Poderia contar sobre a vertigem que senti ao ir Carmela sozinha ao hospital. Será que fiquei maluca?

Poderia declamar a frase que me acordou pela manhã / Hoje e o fim do mundo. E inicios de mundos.

Poderia meditar um minuto e silenciar o texto

Poderia descansar um pouco, talvez dormir

Poderia te perguntar sobre o que você quer que eu escreva

Poderia abrir um furo nesse papel e te convidar para ir para o outro lado comigo

Palhaça Carmela / Camila Jorge

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